3ª. PARTE: OS MUNICÍPIOS QUE PERTENCERAM A ITAPERUNA

CAPÍTULO I - BOM JESUS E SEUS DISTRITOS
CAPÍTULO II - LAJE DO MURIAÉ
CAPÍTULO III- NATIVIDADE E SEUS DISTRITOS
CAPÍTULO IV - PORCIÚNCULA E SEUS DISTRITOS
BIBLIOGRAFIA
AGRADECIMENTOS

 

CAPÍTULO III
NATIVIDADE

1 HISTÓRICO
NATIVIDADE E SEUS DISTRITOS

A freguesia de Natividade do Carangola teve como desbravador José de Lannes Dantas Brandão. Em 1834 seus irmãos Antônio de Lannes Dantas Brandão e Francisco de Lannes Dantas Brandão vieram e foram cedidas a eles as terras da margem esquerda do Rio Carangola, que compreendem a Bacia do Ribeirão de São Sebastião, ou Bom Sucesso, onde se localizava a Fazenda do Engenho, Boa Esperança e Bacia do Ribeirão de Conceição.
Antônio de Lannes Dantas Brandão e seu irmão Francisco de Lannes Dantas Brandão se fixaram nas terras que receberiam em seguida o nome de Nossa Senhora da Natividade do Carangola.
A primeira derrubada para a formação do povoado de Nossa Senhora da Natividade do Carangola foi dada por Antônio. de Lannes Dantas Brandao.
1 Neste local foi erguido um cruzeiro e depois uma capela com Nossa Senhora de Natividade, mediante uma promessa feita pela esposa de Antônio de Lannes Dantas Brandão por se achar adoentada 2.
"Em 23 de agosto de 1853 foi criada a freguesia por Lei provincial n.º 636, e recebeu a denominação de Nossa Senhora de Natividade do Carangola, por Decreto Provincial n.º 1 244, de 14/12/1861.
A freguesia de Natividade do Carangola foi elevada à categoria de Vila e passou à sede do 9º Município de Itaperuna, por força do decreto provincial nº2.810, de 24/11/1885.
Por efeito da Lei Provincial n.º 2.921, de 29 de dezembro de 1887, perdeu as categorias de vila e sede do Município de Itaperuna.
Em virtude do decreto Estadual n.º 101, de 27 de julho de 1890, foi criado o Município de Natividade do Carangola, tendo por sede a povoação de mesmo nome, elevada à categoria de vila.
O Município de Natividade foi suprimido pelo decreto n.º 1, de 08 de maio de 1892, o qual, juntamente com o de n.º 1-A, de 3 de junho do mesmo ano, confirmou também a criação da freguesia.
Por efeito do decreto estadual nº641, de 15 de dezembro de 1938, que fixou o quadro territorial, em vigor no qüinqüênio de 1939-1943, o distrito de Natividade do Carangola teve seu topônimo alterado para Natividade.
O Decreto lei estadual n.º 1 .056, de 31/12/1943 modificou novamente a denominação do Distrito de Natividade para Natividade do Carangola. No quadro da divisão territorial do Estado, em vigor no qüinqüênio 1944-1948, figura no Município de Itaperuna, o distrito de Natividade do Carangola, (Ex-Natividade).
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Natividade se desenvolvia com grande rapidez e seu povo, sentia necessidade de se emancipar.
Os fatores que mais influenciaram na Emancipação que surgiu em 1947 eram os seguintes:
Arrecadação superior de 14 municípios existentes no Estado;
População superiora de nove municípios existentes;
Exportação dos principais produtos; Existência de fábricas e escolas;
Hospital com aparelhagem adequada para a época;
Cinema, teatro e clubes.
Para cumprir o anseio da população de Natividade foi enviado um demonstrativo geral, do distrito, em 31103/1947, pela Comissão de Emancipação liderada pelo Deputado Sebastião Fausto Barreira de Faria à Assembléia Constitucional do Estado, e vê seus esforços recompensados.
Foi criada em Natividade um "escudo português, partido de dois campos, tendo ainda, uma campanha ou contra-chefe. No primeiro campo, de vermelho, encimado por cima uma estrela de ouro, um turbante de penas apoiado sobre duas setas cruzadas tudo de ouro. No segundo, de azul, vê-se ao centro, um livro de dois campos tendo ainda, uma campanha ou contra-chefe. No primeiro campo, de vermelho, encimado por estrela de ouro, um turbante de penas, apoiado sobre duas setas cruzadas, tudo em ouro, no segundo de azul, vê-se ao centro um livro aberto e uma pena de pato, tudo de prata, entre duas máscaras de ouro postas em pala; no terceiro (campanha) em Campo Verde, uma faixa ondada, de prata, aguada de azul. Como suportes à direita e a esquerda, galhos de café, envolvidos em sua base por um listel de prata, carregado com os seguintes dizeres: 1821 - NATIVIDADE - 1947, de preto. O conjunto é encimado pela Coroa mural de cinco torres de prata, a qual é da cidade, tendo sobre a torre central um dipse de azul ostentando uma flor-de-lis, de ouro.
lnterpretação: o escudo português lembra a origem lusitana de nossa Pátria, a estrela, José Lannes Dantas Brandão, desbravador da região; o livro e a pena, a expressão cultural do município; as duas máscaras reafirmam a cultura no setor da arte teatral; a faixa ondada, o rio Carangola; o café, a riqueza agrícola do passado. A flor-de-lis recorda o orago da cidade: Nossa Senhora da Natividade. As datas: 1821, inicio do povoado; 1947, por força do artigo 6º ato das disposições constitucionais transitórias, promulgada em 20/06/1947, e regulado por efeito da Lei Estadual nºO6, de 11/08/1947, que resolveu conceder-lhe novamente autonomia política-administrativa, elevando-o à categoria de município com o território dos distritos de Natividade (ex-Natividade do Carangola), Varre-Sai e Ourânia, desmembrando todos do Município de Itaperuna
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2 ASPECTO
FÍSICO

"O relevo de Natividade caracteriza-se por duas unidades topográficas: a primeira representada pelas elevações cristalinas na Serra da Sapucaia, superiores a 500 metros e que servem de divisor de águas das bacias dos rios Carangola e Itabapoana, na porção central. A partir dai, as altitudes decrescem, tanto em direção ao Vale do Itabapoana à norte, quanto à direção do Carangola ao Sul. As elevações das Serras Piçarra e Marambaia, no Extremo Sul, representam um interfúgio das bacias do Carangola e do Muriaé e são responsáveis pelo relevo mais movimentado da área.
A segunda unidade topográfica caracteriza-se pêlos patamares cristalinos e superfícies onduladas que decrescem em direção ao Vale do Itabapoana e do Carangola, em virtude da erosão causada pêlos respectivos sistemas fluviais. Nas áreas mais próximas aos vales as ondulações são suaves, de relevo colinoso e várzeas amplas.
O município tem como principais ocorrências, associações do latosólico alaranjado podzólico e latosólico vermelho podzólico, constituindo unidades de solos poligenéticos com característica comuns dois grandes grupos, latosol e podzólico, em relevo de ondulado a fortemente ondulado e zona extremamente dissecada e rebaixada pela erosão fluvial.
O latozol, que ocupa 30% da área municipal, na porção norte de patamares cristalinos, são solos profundos, ácidos, quimicamente pobres, com sua riqueza antes preservada pela cobertura florestal.
Pode-se observar que nas várzeas do rio Carangola encontra-se o solo hidromórfico, que se apresenta com fundo chato, drenagem difícil e lençol freático aflorante no período chuvoso. Utiliza-se este solo na região para o cultivo do arroz

2.1 - Hidrografia:

"A hidrografia faz-se representar pêlos rios Carangola e o alto rio Itabapoana. O rio Carangola nasce em Minas Gerais, constituindo-se na principal via fluvial de Natividade do Carangola, sendo o mais importante afluente da margem esquerda do rio Muriaé. Atravessa a porção sul do Município, na direção NWSE, banhando a sede municipal, tendo como afluentes da margem direita e esquerda respectivamente os rios São Lourenço e Conceição.
O rio Carangola é de grande utilização para a região, destacando-se a pesca dentre outras atividades.
O rio Itabapoana serve de limite no extremo norte entre os estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo, recebendo vários ribeirões, dentre eles o Ribeirão Varre-Sai, o qual demarca os limites entre Natividade e Bom Jesus do Itabapoana"
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2.3-Clima:

O clima de Natividade é influenciado por dois fatores: a interiorização do município quanto aos ventos úmidos do litoral, com estação chuvosa no verão e estação seca, bem marcada, atingindo o mínimo de chuvas em julho, no inverno.
O segundo fator responsável pelo clima é a altitude, com abrandamento de temperaturas nas áreas acima de 400 metros. Somado a estes fatores, pode-se registrar a presença do clima tropical e nas áreas mais elevadas o tropical de altitude.
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2 4- Localização:

O município de Natividade localiza-se no extremo norte do Estado, ocupando a superfície de 614 km2.
A sede do município situa-se a 21º02' 30" latitude sul, e a 41º 58' 38" longituoeste de Gr. A altitude do Município de Natividade é de 185 m
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3 SITUAÇÃO DEMOGRÁFICA
Os índios puris eram habitantes nativos da região. Ap6s o desbravamento, em 1881, com o cultivo do café, houve grande interesse por parte dos imigrantes em se estabelecerem em Natividade. Italianos. portugueses, sírios e libaneses se espalharam por todo o município. Os imigrantes dedicavam-se à agricultura e a trabalhos artesanais.
Os escravos existentes na região eram poucos, tornando difícil a mão-de-obra para a lavoura cafeeira.
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"A população dos distritos que constituem o atual município era, em 1940, de 28.209 habitantes, dos quais, no distrito da sede ( . .) Natividade do Carangola é dos municípios de população mais densa do Estado. Em 1940, havia 48,38 habitantes por quilômetros quadrados(...)"
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4 ASPECTO ECONÔMICO
4.1 - Agricultura:

Nas planícies aluviais mais largas destaca-se o cultivo do arroz e nas áreas mais elevadas verifica-se o cultivo do café. Além desses produtos desenvolve-se na região a cana-de-açúcar, o algodão, milho, mandioca, feijão e fumo
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O cultivo de maior destaque cabe, ao café, passando por volta de 1881 a 1890, por uma de suas melhores fases.
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4 2 - Indústria:

Havia em Natividade, por volta de 1939, várias fábricas como: de tijolos, te lhas, macarrão e fumo de rolo.

4.3 - Comércio:

Com a vinda dos imigrantes, predominavam no comércio os sírios e em seguida os turcos.
Em 1946 havia 59 casas comerciais na vila e 16 no interior, 6 padarias, 2 hotéis, 2 pensões, etc.

4.4 - Pecuária:

Pode-se observar a predominância da pecuária à medida em que se estreitam as planícies aluviais que se estendem também pelas encostas.

4.5 - Transporte:

O principal meio de transporte utilizado era feito através de Estrada de Ferro Leopoldina. A ferrovia era em forma de Y, passando pêlos rios Muriaé e Carangola, tendo estação em Natividade e Bananeiras.
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As estradas em sua maioria eram comuns, semelhantes a trilho de boi. Existiam charretes, caminhões (para transportar o café), e a madeira era transportada através dos carros de bois.
Havia um ônibus que fazia a linha Natividade a Ourânia, chamado "Lulu Locke".
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As estradas municipais existentes eram:
Natividade a Ouro Fino, 12 km; Ouro Fino à Fazenda Conceição, 24 km; Natividade à Varre-Sai, 24 km; Vista Alegre ao Estroncamento Varre-Sai, 12 km; Bananeiras ao Estroncamento Itaperuna-Ouro Fino, Ouro Fino a Querendo, 9 km.
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5 INFRA-ESTRUTURA
SOCIAL

5.1 - Urbanização:

O processo de ocupação urbana do sítio onde se insere Natividade teve como principal estímulo a expansão da lavoura cafeeira pelo planalto fluminense. A cidade desenvolveu-se de áreas planas junto ao rio, condicionada pelas elevações de declive próximas às suas margens.
Os mesmos aspectos fisiográficos que induziram à escolha do sítio urbano determinaram a localização do leito da ferrovia e posteriormente das rodovias, que se estendem por vales estreitos e passam a constituir os elementos principais da organização interna da cidade.
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O serviço de abastecimento de água é feito através do bombeamento do rio Carangola para a estação de tratamento de água.
O processo de tratamento era feito através de sulfato de alumínio com movimento de floculação, decantação e filtração. A clorolação era feita através de cloro de cilindro e a cal virgem hidratada era usada para eliminação de acidez.
Os esgotos da zona urbana funcionam nos domicílios que não têm fácil acesso ao rio Carangola, através da rede municipal.

5.2 - Meios de Comunicação:

Quanto ao sistema de comunicação, era realizado através de aparelhos telefônicos, correio e telégrafos, rádio e jornais. Havia em 1946 uma média de 90 aparelhos de rádios na localidade.
Em 1939 havia uma média de 26 telefones com uma linha de 97 km de extensao.
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Os jornais existentes na época que merecem destaque são:
- Scisão e Heraldo - Diretor proprietário: Álvaro Gomes. A Scisão precedeu o Heraldo até aparecer todo o material necessário a publicação do mesmo. Ambos eram independentes, tendo como lema a frase: "Não alugaremos o nosso coração, nem venderemos a nossa alma". Mais adiante afirmam "não será filiado a nenhum partido político; viverá a favor do público e, portanto, ao público servirá". Seu primeiro número foi publicado em 1º de janeiro de 1908
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- O Independente - Propriedade de uma associação, tendo como Editor Brasilino Americano. Em seu primeiro número afirmava "O Independente não tem políca nem tutor. Está sempre ao lado do oprimido, registrando em suas colunas todos os fatos que se desenvolveram em nosso meio".
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- O Lyrio - Jornalzinho crítico e noticioso, tinha como redator chefe N. Almeida. Era publicado quinzenalmente. Foi publicado em 01/02/1908.
- Vedeta - Órgão político, sendo seu redator chefe o Dr. Tancredo Lopes.
- Natividade - De início é de propriedade ed uma associação, a partir do 7º número passa a pertencer a Cavalcanti & Cia e do número 40 em diante é de Oliveira & Rocha. O primeiro número publicado do Jornal Natividade foi no dia 08 de maio de 1900.

5.3 - Saúde:

Na região era muito comum o tifo, a verminose e a gripe espanhola.
Em 20 de fevereiro de 1934 foi fundada a Caixa dos Pobres, que era uma associação de fundo Beneficente tendo como objetivo a construção de um hospital para atender as pessoas carentes da região.
O governo, na época da construção, cedeu 60 sacas de café como ajuda.
Ainda em 1934, Q hospital foi inaugurado com 3 pavimentos sendo que:
- O andar superior tinha:05 quartos particulares, 0l quarto coletivo, 0l sala de esterilização, uma sala de raio X, 0l solário com 12x7 metros.
- No andar térreo havia: uma enfermaria para senhoras, 0l enfermaria para homens, uma maternidade, uma sala de partos, uma cozinha, 02 quartos para enfermeiras, uma copa.
- No andar inferior existia: um isolamento para senhoras, um isolamento para homens, uma câmara escura.
Com referência às instalações havia 42 leitos, 03 banheiros, 03 sanitárias e 03 enfermarias.
Em 24/01/1938,0 hospital de propriedade da Caixa dos Pobres de Natividade, é registrado e tem como Comissão da redação da 3ª Reforma o Dr. A. J. Monteiro, relator; Dr. Renato Vieira da Silva e Dr. Sebastião Campos.
A diretoria em exercício era composta:
Dr. Randolpho Bastos, presidente; Andral Vieira de Carvalho, secretário; Eduardo da Silva Bastos, tesoureiro. Somente em 1939 é que o Hospital inicia suas atividades.
Em 1920 havia a "Farmácia Gomes" de propriedade do filho de Antônio de Lannes Dantas Brandão.

5.4 - Religião:

A religião mais difundida na região é o catolicismo. O primeiro padre que dirigiu a Igreja foi o Padre Domiciano Félix de Assunção, ficando em Natividade de1851 a 1854.
Foi fundada em 1913, com prédio próprio, uma Igreja Batista.
Havia também um templo espírita e um da Assembléia de Deus.

5.5-Educação:

a)Foram criadas as seguintes escolas estaduais:
- Em 14 de dezembro de 1822 foi fundado o Grupo Escolar Francisco Portella, funcionando sob a direção de Margarida Emília Laranjeiras Rabello.
- Escola Estadual de Ensino Supletivo Bananeiras: Publicação em 10/03/1914.
- Escola Estadual de Ensino Supletivo Edinete Vargas de Oliveira: Decreto Lei nº2.686, publicação em 06/19/1946. Localizava-se na Fazenda do Alegre.
- Escola Estadual de Ensino Supletivo Serraria: Ato de 28.03. Publicação em 01/04/1939.
- Escola Estadual Barreiros: Decreto 1.727 dei public.02/03de1944,na localidade de Barreiros.
- Escola Estadual Ensino Supletivo Córrego Seco: Ato 30/12/1943 publicação em 04/01/1944, na localidade de Córrego Seco.
- Escola Estadual Fazenda Morro Grande: Ato 22 publicação 28 de julho de 1946, localizada na Fazenda Morro Grande.
b) Rede de Ensino Particular:

Em 15 de novembro de 1944 foi fundado o Ginásio Natividade, abrangendo os cursos: primário, admissão e ginasial.; Seu funcionamento teve início em 1º de março de 1947, com uma matrícula de 200 alunos sob o regime de lnspeção Federal. Teve como diretor comercial Alcenor Lengruber Boechat e como Diretor Técnico Francisco de Assis Pereira.
- O Externato Carangolense: Tinha como diretor A. Cavalcanti. Em 1932,funcionava em prédio próprio, tendo como fundadora a professora Lenira Félix Lliovitz.

5.6 - Carnaval:

Representado pêlos cordões carnavalescos como Flordulango, Gobiroba e Esquinado, seus fundadores foram Manoel da Silva Gabrito e Cesar Lannes; Antônio Buonomo, Pedro Pavanelli e João Carneiro, respectivamente. Mais tarde surge o bloco "Os Candidatos".
Em 1945,surge o bloco "Nós somos do amor", tendo como fundadoras, Sílvia de Almeira Martins, Edi de Azevedo Barros, Sirene Barroso e Maria da Conceição Barroso. Este bloco passa mais tarde a Escola de Samba.
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5.7-Arte:

- Clube Dramático Literário e Recreativo: Prédio composto de 03. pavimentos. Encontrava-se a biblioteca com cerca de 10.000 volumes.
- Música:
Banda 15 de Novembro: seu presidente era o Sr. Miguel Buonomo e mais tarde o Capitão Georgino Dutra Werneck. Dentre seus maestros destaca-se o Major Astolfo de Oliveira Dias, autor da Valsa "Para que lágrimas? ".
Banda 7 de Setembro: teve fase brilhante na história musical de Natividade, chegando a seu apogeu quando contava com a presença do maestro Juca Chaves, destacando-se por volta de 1915 a 1935.
Elite Orquestra: foi organizada nos primeiros dias de maio com o nome de "Elite Jazz". Escolheu como data oficial o dia 10 de Maio em homenagem ao Major Astolfo de Oliveira Dias que aniversariava nesta data.

6 DISTRITOS
DE NATIVIDADE

6 -1 - VARRE-SAI

6.1 1 - Histórico:

Tudo começou quando vários membros de família de Felicíssimo de Faria Salgado que eram grandes proprietários da Região e, alcançando uma grande graça por intermédio de São Sebastião, ofertaram ao Santo 20 alqueires de terras. Atrás da máquina de café da fazenda cuja sede era o Casarão, ao lado da Igreja, existia, um rancho para hospedagem de tropeiros. Ao lado, num casebre, residia uma velhinha chamada Inácia, que tomava conta do rancho. Na saída quando os tropeiros iam pagar a hospedagem, ela dizia. Não precisa pagar, Varre e sai para quando chegar outra tropa, encontrar limpo". Mais tarde o povoado foi crescendo e o rancho continuava sendo a hospedagem dos tropeiros, e conhecido em toda região como o rancho de "Varre-Sai".
Em 27 de junho de 1890, o governo expediu o Decreto nº 101, cujo texto era o seguinte, no seu artigo 3º: "Ficam alterados os limites da Freguesia do Varre-Sai, pertencendo à mesma as vertentes do ribeirão da Conceição a partir das cabeceiras até a barra do Córrego Bandeira, na fazenda denominada Correnteza, e bem assim as vertentes do córrego do Candonga até a barra do córrego da Matinada, inclusive as vertentes na fazenda denominada Paciência, e mais as vertentes do Ribeirão Pouso Alto a partir das cabeceiras, compreendendo todo o terreno convergente até as contravertentes do córrego das Perobas, nas imediações de sua foz, excluindo este; ficando a freguesia de Natividade limitada com a do Varre-Sai na barra dos Córregos Bandeira e Matinada, cabeceira do Ribeirão da Conceição, e no Ribeirão do Pouso Alto na divisa de águas do Córrego das Perobas, o qual continua a fazer parte da freguesia de Natividade.
O artigo 6º do Ato das Disposições transitórias, promulgado em 20 de junho de 1947 e regulado por efeito da Lei estadual n.º 6, de 11 de agosto do mesmo ano, concedeu autonomia política administrativa elevando o distrito de Natividade à Categoria de Município do qual ficaram fazendo parte: Varre-Sai e Ourânia, desmembrados todos do município de Itaperuna.

6.1.2- Caracterização do Território:

Relevo de planalto, clima subtropical seco, 682 m de altitude, beneficiando a agricultura. Está localizado no Extremo Norte Fluminense.

6.1 3- Povoamento:

O excelente clima e as grandes lavouras do Café atraíram imigrantes italianos que se fixaram nesta região formando uma grande Colônia. Esses imigrantes trouxeram para a localidade várias contribuições, dentre elas a fabricação do vinho, a qual teve início em 1904, para consumo próprio e em 1935 para o mercado.

6.1.4 - Aspecto Econômico:

a) AGRICULTURA:
Em toda área do distrito havia plantação, havendo portanto trabalho para todos que chegassem. Cultivava-se o café, depois arroz, milho e outros produtos em menor escala, como a batata inglesa, pepino, abóbora, etc.
Em 1943, existia um moinho de fubá com capacidade de 20 sacas por hora, sendo que até 1942, o beneficiamento de arroz era feito no pilão e moinhos de fubá.
b) INDÚSTRIAS:
Fabricava-se: aguardente, farinha, queijos, manteiga, requeijão, doces caseiros como goiabada, marmelada e quanto ao artesanato trabalhava-se com crochet, renda de bilro e trabalho de bambu, balaio.
c) COMÉRCIO:
Em 1883 já existia uma casa comercial de propriedade de J. Vasque dos Santos chamada "O Bazar dos Lavradores", com sortimentos de fazendas, gêneros alimentícios, armarinhos, chapéus, calçados e ferragens.
d) TRANSPORTES:
Em 1924 Varre-Sai recebeu a visita do Governador Feliciano Pires de Abreu Sodré que inaugurou a Estrada Varre-Sai a Natividade tendo como construtor e financiador o Major Elói Ferreira. Em 1928 houve a inauguração da 1ª linha de ônibus Varre-Sai a Natividade, que era do Sr. Miguel José. Logo após, em 1929, foi criada outra linha de ônibus pelo Sr. João Façu, a qual ligava Varre-Sai a Tombos. O Sr. Antônio José, conhecido na Vila como "Careca", era comerciante e comprou o l.º caminhão e o Sr. Lindolfo Nunes Vieira possuiu o 1º carro de passeio de marca Ford.
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6.1.5- Infra-Estrutura Social:

a) COMUNICAÇÃO:
Até 1947 não havia Posto Telefônico em Varre-Sai, só telefones particulares. Os proprietários faziam suas próprias linhas ligando-as à linha central de Natividade: Arindo Sobreira (na Casa Comercial), José Tupini (Vila, Antônio Bexiga (Fazenda) e Firmino Francisco de Paula (Fazenda).
Havia o jornal "Balão" publicado em Varre-Sai desde julho de 1903.
Existia também uma revista quinzenal chamada "Colombo" publicada em Varre-Sai por uma associação de alunos do colégio interno rio mineiro, seu 1º número saiu 1º de novembro de 1892.
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b)SAÚDE:
Não havia rede hospitalar, os médicos de Natividade como o Dr Joaquim Antônio de Oliveira Botelho, Dr. Vidigal Agenor de Barros, Dr. José de Oliveira Cunha e que prestavam assistência particular aos doentes.
Só no dia 10 de agosto de 1945 é que foi criado o Posto de Higiene e Saúde sendo chefe o Dr. Cicero de Oliveira Machado.
c) RELIGIÃO:
A religião predominante era a Católica. Em 1912, por ato de Don Bonaci Bispo de Niterói, foi criada a paróquia de Varre-Sai sendo nomeado seu primeiro Pe. José Maria Janeiro Mota Caieiro.
Em 20 de janeiro de 1920 foi inaugurada a nova Matriz São Sebastião e ainda neste ano foi fundado o Apostolado da Oração pelo Pe. José Simões. Em 1930 foi criada a Liga Católica de Varre-Sai pelo Pe. Oscar de Oliveira que ainda criou a União dos Filhos de Maria.
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d) ARTE:
O teatro amador era organizado por pessoas da própria vila com intençao de divertimento e aumento da cultura. Em 1917 este teatro era organizado por Antônio de Oliveira e Tomaz de Aquino. A rua onde se encontrava o prédio deste ficou conhecido como Rua do Teatro.
Em 22 de novembro de 1917 foi criada a Lira Santa Cecília e seu 1º maestro foi Vicente Tomas de Aquino, conhecido por velho Aquino, avô de Baden Powell de Aquino, famoso violonista internacional, criador da bossa nova.
Por ser a sociedade musical mais antiga da região, vem, recebendo ajuda de todas as outras bandas musicais e benefícios através do Ministério da Educação e Cultura. Mantém seus estatutos devidamente formalizados no Conselho Nacional do Serviço Social, motivo este por que as verbas originárias do Governo da União são pagas normalmente.
e) EDUCAÇÃO:
A 1ª notícia de escola pública existente em Varre-Sai, data de 1892. Esta escola era Rio Mineiro, um internato do professor José Antônio da Silva.
Em 1897 havia uma escola particulardo professor Tancredo Caramile
Na página 28 do livro das atas da junta distrital de Varre-Sai fala-se da criação da 1ª Escola Pública Municipal em 28 de março de 1913, sendo nomeado internamente para reger a escola o Sr. Noberto Valadão.
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6.2 - Distrito de Ourânia ( ex-Ouro Fino):

6.2.1 - Histórico:

O nome da localidade foi mudado porque existia no Estado Minas Gerais uma cidade também denominada Ouro Fino, daí havia muita confusão, principalmente por parte dos Correios, que sempre se enganavam com a correspondência.
O distrito, com a denominação de 12º e sede na povoação de Santa Rita do Ouro Fino, foi criado pela Lei Estadual n.º 595, de 4 de setembro de 1903.
Nas divisões administrativas de 1911 e 1933, Santa Rita de Ouro Fino figura como distrito do Município de Itaperuna, notando-se apenas que, em 1933, o distrito está grafado Santa Rita do Ouro Fino.
Segundo as divisões territoriais de 31-XII-1937, o distrito se denomina Ouro Fino e pertence ao município de Itaperuna.
Por força do Decreto lei estadual n.º 392-A, de 31 de março de 1938, o distrito de Ouro Fino voltou a chamar-se Santa Rita de Ouro Fino. No quadro anexo ao citado Decreto-lei n.º 392-A, consta no município de Itaperuna o distrito de Santa Rita de Ouro Fino.
Em virtude do Decreto estadual n.º 641, de 15 de dezembro de 1938, que fixou o quadro da divisão territorial, do Estado, vigente no qüinqüênio 1939 -1943, a denominação do distrito foi, novamente, alterada para Ouro Fino, permanecendo o mesmo no município de Itaperuna.
Por efeito do Decreto lei estadual n.º 1.056, de 31 de dezembro de 1943,0 distrito de Ouro Fino passou a denominar-se Ourânia, e pertence, de acordo com o quadro da divisão territorial, judiciária e administrativa do Estado, em vigor no qüinqüênio 1944-1948, fixado pelo mencionado Decreto-lei n.º 1 .056, ao município de Itaperuna.
A Lei estadual n.º 6, de 11 de agosto de 1947, que regulou o Ato das Disposições Constitucionais Transitórias do Estado do Rio de Janeiro, promulgado em 20 de junho de 1947. que introduziu modificações no quadro vigente no qüinqüênio 1944-1948, transferiu o distrito de Ourânia do município de Itaperuna para o novo município de Natividade do Carangola, ordenando-o como o 3º.

6.2.2- Caracterização do Território:

a) RELEVO:
É uma região de planaltos com uma altitude aproximada de 185 metros, com pequenos vales entre os morros.
b) HIDROGRAFIA:
Possui um Ribeirão de nome Conceição com os seguintes afluentes: Córrego Ouro Fino e Baú da Esperança.
c) LOCALIZAÇÃO:
Ourânia confronta com os Distritos Natividade (5º) e Varre-Sai (7º) pêlos seguintes limites:
- As divisas com o 1º Distrito são na barra do Ribeirão da Conceição, compreendendo as vertentes até a Fazenda da Correnteza, limite antigo do 7º Distrito.
- As divisas com o 5º Distrito são nas contravertentes do Valão da Esperança, que ficou pertencendo ao novo Distrito, desde a barca até as cabeceiras.
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- Divisa-se com Bom Jesus do Itabapoana.

6.2.3- Aspecto Econômico:
a) AGRICULTURA:
Plantio de arroz, café, feijão, milho, cana-de-açúcar e algodão. Essas terras são consideradas como das melhores terras da região.
b) INDÚSTRIA:
Possuía apenas uma indústria de aguardente, de propriedade do Sr. Feliciano de Oliveira, com grande produção para o distrito e adjacências.
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6.2.4 - Infra-Estrutural Social:

a) SISTEMA DE COMUNICAÇÃO:
Existia um Posto de Correio e um telefone público. As transmissões de rádio chegavam a Ouro Fino com bastante precisão. No ano de 1939 existia uma média de 15 aparelhos receptores.
b) LUZ ELIETRICA:
Vinha da fazenda do Sr. Feliciano de Oliveira, que cobrava uma taxa mensal para a manutenção da usina.
Por volta de 08 de junho de 1933, a Prefeitura contratou a Empresa de Luz e força de Ouro Fino.
c) EDUCAÇÃO:
Havia a Escola Santa Rita de Cássia, cuja professora chamava-se Luiza Dias e existia também escolas particulares administradas pêlos fazendeiros, que contratavam as professoras para seus filhos, netos e colonos dentro das próprias fazendas.
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Nota de rodapé
1 - Dr. Leopoldo Muylaert Júnior."AIbum do Município de Itaperuna", 1910.
2 - Entrevista com o Dr. Adalberto Lopes.
3 - Jurandyr Pires Ferreira. Enciclopédia dos Municípios.
4 - Alberto Lima. Heraldista e Desenhista.
5 - Estudos para o Planejamento Municipal. Governadoria do Estado do Rio de Janeiro. SECPLAN, FIDERI, REVISTA:
6 - Ibib
7 - Op.Cit.
8 - Ibid.
9 - Entrevista com o Dr. Adalberto Lopes.
10 - Loc Cit.
11- Jurandyr Pires Ferreira. Encl. dos Municípios Brasileiros 1959.
12 - Dado fornecido pelo IBC (Instituto Brasileiro do Café)
13 - Dados do IBGE de 12 a 18/08/1939.
14 - Entrevista com o Dr. Adalberto Lopes.
15 - Dados do IBGE de 12 a 18/08/1939.
16 - Estudos para o planejamento municipal. Governo do Estado do Rio de Janeiro. SECLAN- SIDERJ.
17 - Dados do IBGE de 12 a 18/08/1939.
18 - Dados fornecidos pelo Dr. Adalberto Lopes.
19 - Ibid.
20 - Entrevista com o Dr. Adalberto Lopes.
21- Entrevista com Amélia de Oliveira Varga:
22 - Arquivo de Amélia de Oliveira Vargas:
23 - Jornal "O Centenário de Varre-Sai".
24 - Entrevista com Helena Magalhães Giovani.
25 - Prefeitura Municipal de Itaperuna.
26 - Entrevista com o Sr. Rubens Rocha.
27 -Ibid.